Em meio ao turbilhão da vida, a frase do artista plástico e filósofo de rua Eduardo Marinho, 63 anos, ecoa como um soco no estômago: "A vida parece um mercado de consciências. Se você vende sua consciência você tem privilégios." Uma filosofia da indignação se ergue, questionando a ordem estabelecida e a mercantilização da alma.
Indignar-se é um ato de rebeldia, um grito contra a injustiça que escancara a desigualdade. É recusar-se a vender a própria essência em troca de migalhas de conforto e segurança. É negar-se a ser mais um número na engrenagem do sistema que oprime e desumaniza.
Ao abrir mão dos privilégios da classe média, Marinho nos convida a questionar: qual o preço da nossa liberdade? Quantas moedas valem a nossa dignidade? Quantos bens materiais podem comprar a paz interior?
A indignação nos faz reconhecer os privilégios que alguns ostentam, construídos sobre a exploração e a indiferença. É o reconhecimento da dor alheia, da fome que dilacera, da miséria que se esconde nas vielas esquecidas da cidade.
É também a recusa em se calar diante da opressão. É a voz que se ergue em defesa dos excluídos, dos silenciados, dos que não têm vez nem voz. É a luta por um mundo mais justo, onde a dignidade humana seja o valor mais precioso.
Mas, em meio à luta, surge a pergunta crucial: Afinal, quanto vale sua consciência neste capitalismo desumano, de valores morais deturpados?
A resposta está em cada ato de rebeldia, em cada palavra de inconformidade, em cada gesto de compaixão. A resposta está na construção de um mundo onde a venda da alma não seja a única moeda de troca, onde a indignação se transforma em ação transformadora.
Neste mercado de consciências, a nossa indignação é a arma mais poderosa que temos. É o grito que anuncia a aurora de um novo tempo, onde a ética e a compaixão reinarão sobre a ganância e a indiferença.
Que esta filosofia da indignação nos inspire a construir um mundo onde a vida seja mais do que um mero produto à venda, onde a consciência seja o nosso maior patrimônio.