A FILOSODIA DA INDIGNAÇÃO

Giovani Miguez • 8 de abril de 2024

Quanto vale a sua consciência?


Em meio ao turbilhão da vida, a frase do artista plástico e filósofo de rua Eduardo Marinho, 63 anos, ecoa como um soco no estômago: "A vida parece um mercado de consciências. Se você vende sua consciência você tem privilégios." Uma filosofia da indignação se ergue, questionando a ordem estabelecida e a mercantilização da alma.


Indignar-se é um ato de rebeldia, um grito contra a injustiça que escancara a desigualdade. É recusar-se a vender a própria essência em troca de migalhas de conforto e segurança. É negar-se a ser mais um número na engrenagem do sistema que oprime e desumaniza.


Ao abrir mão dos privilégios da classe média, Marinho nos convida a questionar: qual o preço da nossa liberdade? Quantas moedas valem a nossa dignidade? Quantos bens materiais podem comprar a paz interior?


A indignação nos faz reconhecer os privilégios que alguns ostentam, construídos sobre a exploração e a indiferença. É o reconhecimento da dor alheia, da fome que dilacera, da miséria que se esconde nas vielas esquecidas da cidade.


É também a recusa em se calar diante da opressão. É a voz que se ergue em defesa dos excluídos, dos silenciados, dos que não têm vez nem voz. É a luta por um mundo mais justo, onde a dignidade humana seja o valor mais precioso.


Mas, em meio à luta, surge a pergunta crucial: Afinal, quanto vale sua consciência neste capitalismo desumano, de valores morais deturpados?


A resposta está em cada ato de rebeldia, em cada palavra de inconformidade, em cada gesto de compaixão. A resposta está na construção de um mundo onde a venda da alma não seja a única moeda de troca, onde a indignação se transforma em ação transformadora.


Neste mercado de consciências, a nossa indignação é a arma mais poderosa que temos. É o grito que anuncia a aurora de um novo tempo, onde a ética e a compaixão reinarão sobre a ganância e a indiferença.


Que esta filosofia da indignação nos inspire a construir um mundo onde a vida seja mais do que um mero produto à venda, onde a consciência seja o nosso maior patrimônio.

BLOG DO GIOVANI MIGUEZ

Por Giovani Miguez 18 de março de 2025
Uma exploração através dos jogos de linguagem
Por Giovani Miguez 31 de janeiro de 2025
Em uma sociedade moldada por algoritmos e desinformação, precisamos de uma nova ética - uma ética do cuidado!
Por Giovani Miguez 2 de janeiro de 2025
Entre os poemas, ensaio aquilo que, em sabe um dia, serão os problemas que enfrentarei com o rigor de um filósofo; sem nunca o ser, é claro, pois reconheço minhas limitações.
Por Giovani Miguez 5 de dezembro de 2024
Sorriso de Plástico no Capitalismo Tardio
Por Giovani Miguez 3 de dezembro de 2024
Talvez minha aparente infelicidade devesse se converter em uma genuína (in)felicidade.
Por Giovani Miguez 15 de novembro de 2024
Em busca de sentido: uma jornada poética pelos livros de Giovani Miguez
Chega de falar em guerra contra o câncer! Vamos falar de cuidado, de bem-viver, de acolhimento.
Por Giovani Miguez 5 de outubro de 2024
Chega de falar em guerra contra o câncer! Vamos falar de cuidado, de bem-viver, de acolhimento.
Por Giovani Miguez 12 de setembro de 2024
Uma Análise da Psicanálise à Luz da Epistemologia de Gaston Bachelard
Por Giovani Miguez 2 de junho de 2024
A Pós-Modernidade nos Deixou Exaustos. É Hora de Cuidar Uns dos Outros
Por Giovani Miguez 2 de junho de 2024
Dos dez anos de idade, quando tentei iniciar meu primeiro diário, até hoje, são 35 anos "perdidos", parcialmente esquecidos por incapacidade de registrá-los.
Por Giovani Miguez 19 de maio de 2024
O ranço, companheiro indesejado, me toma conta com força desmedida: repulsa à intolerância e aversão à manipulação.
Tese de Doutorado: Ciência da Informação. Documento como tecnologia do ser.
16 de maio de 2024
Em 4 de abril, defendi minha tese de doutorado em Ciência da Informação. Nela, consta esta epílogo que mostra, em certo sentido, como minha pesquisa conectou-se com minha poesia.
Por Giovani Miguez 14 de maio de 2024
As palavras do pai, escritas com tinta desbotada pelo tempo, transbordavam amor e arrependimento. Ele explicava as razões que o obrigaram a partir, pedia perdão pela dor causada e declarava seu amor eterno pelo filho.
Por Giovani Miguez 9 de maio de 2024
Cuidar é, portanto, um ato ético fundamental para a construção de uma sociedade mais humana e sustentável.
9 de maio de 2024
Com Drummond, aprendo a apreciar a beleza do cotidiano, a reconhecer a poesia nas pequenas coisas da vida.
Por Giovani Miguez 2 de maio de 2024
Caminhar é poesia em movimento.
Por Giovani Miguez 17 de abril de 2024
Wolff, Francis. Três utopias contemporâneas. Tradução Mariana Echalar. São Paulo: Editora Unesp, 2018.
Por Giovani Miguez 15 de abril de 2024
Uma Crônica sobre as Três Ecologias de Guattari e a Sociedade do Cuidado
15 de abril de 2024
Nossa humanidade frente ao avanço da Inteligência Artificial
Por Giovani Miguez 15 de abril de 2024
Reflexões a partir de seis leituras
Por Giovani Miguez 9 de abril de 2024
Da Poética de Aristóteles a uma Biblioterapia social
Por Giovani Miguez 9 de abril de 2024
A leitura é um refúgio que proporciona prazer e cura.
Por Giovani Miguez 9 de abril de 2024
O cuidado em tempos de cansaço
Por Giovani Miguez 7 de abril de 2024
Fé e Dúvida: uma espetáculo
Por Giovani Miguez 7 de abril de 2024
Ninguém é tão feliz, ainda assim...
Por Giovani Miguez 7 de abril de 2024
O amor no ato criativo
Por Giovani Miguez 7 de abril de 2024
Quando falta sono
Share by: