A filosofia, essa arte ancestral de questionar, investigar e interpretar o mundo, sempre me fascinou. Desde meus primeiros passos, desde que a consciência despertou em mim, o ato de caminhar, de percorrer o mundo com meus próprios pés, tudo tem sido um convite, por vezes exaustivo, à reflexão. Caminho e penso, penso e caminho, num ciclo que alimenta a alma e me impulsiona a buscar o sentido da existência.
Não me considero um filósofo, talvez nunca o seja. Não domino as intrincadas teias dos sistemas filosóficos, nem me dedico ao estudo metódico dos grandes pensadores. Mas, se filosofar é questionar, é buscar a essência das coisas, é tentar decifrar o enigma da vida, então, ousarei dizer, sou um filosofante, um pensador errante..
Nutro profunda admiração pelos filósofos, por aqueles que ousam desafiar o senso comum, questionar as verdades estabelecidas e mergulhar nas profundezas do pensamento. Mesmo quando discordo de suas ideias, reconheço a grandeza de seus esforços em transformar o caos da realidade em uma ordem inteligível, em uma gramática que dê sentido à nossa existência.
Em minhas tentativas de expressar o turbilhão de pensamentos que me habitam, recorro à escrita. Mas, confesso, minhas palavras ainda carecem da precisão e da sistematização que caracterizam o discurso filosófico. Meus textos são como mosaicos, fragmentos de ideias, reflexões e emoções que buscam, como num quebra-cabeça, encontrar sua forma definitiva. A poesia, com sua linguagem metafórica e sua liberdade expressiva, me oferece um refúgio, um espaço onde posso dar vazão à minha busca por sentido.
Sim, há filosofia em meus versos, assim como há poesia em minhas reflexões filosóficas. A poesia me inspira a questionar, a contemplar o mundo com um olhar crítico e sensível. E a filosofia me convida a buscar a beleza na ordem das ideias, a encontrar a harmonia na estrutura do pensamento.
Entre os poemas, ensaio aquilo que, em sabe um dia, serão os problemas que enfrentarei com o rigor de um filósofo; sem nunca o ser, é claro, pois reconheço, porém, minhas limitações. A falta de sistematização, a ausência de um método rigoroso, me impedem de afirmar que meus escritos, por mais densos de significado que sejam, constituam uma obra filosófica genuína. Continuo, então, trilhando meu caminho, filosofando e poetando, buscando, na fusão entre razão e sensibilidade, uma forma autêntica de expressar minha compreensão do mundo e de mim mesmo.
Talvez, no final dessa jornada, eu possa finalmente me aproximar daquilo que almejo: uma síntese harmoniosa entre o pensar e o sentir, entre a filosofia e a poesia, entre a busca pela verdade e a expressão da beleza. Mas, isto que busco, receio, será uma obra que não poderá ser publicada, pois minha vida, espero, será um grande ensaio que se formará nas entrelinhas deste grande poema existencial e aberto que sou.
Giovani Miguez
02.01.2025